13 de julho de 2011

Namore uma garota que lê

(De Rosemary Urquico. Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura)

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.


Texto retirado do Janela de cima.

12 de julho de 2011

Fille parisienne

Ou melhor, a garota de Paris (o que pretendo ser). São ilustrações da Irena Freitas, e arranhando com meu francês, posso dizer que é très magnifiques.











Relationships were something I used to do. Convince me they are better for me and you. We met by a trick of fate. French navy, my sailor. (Camera Obscura)

11 de julho de 2011

Hipsters, hipsters, hipsters por toda parte

O que mais tenho visto ultimamente são influências hispters, por todos os lugares. Desde fotos mostrando câmeras analógicas; símbolos de infinito; fotos escritas com fontes de máquina de escrever (pois é, é o título do blog) e muitas outras coisas, além de milhares de fotos simplóreas e que, para meu agrado, parecem ser bem antigas e que transmitem nostalgia.
Hoje em dia, muitas pessoas tentam ser hipsters, e mesmo assim, muitas delas não conseguem. Eu acredito que às vezes sou muito hipster, por causa de livros, fotos em preto e branco, meu gosto por café somente pela nostalgia, pode até ser, mas às vezes isso não é legal.
O lugar onde mais acho fotos hipsters é no We heart it,




10 de julho de 2011

Buscando piratas

Buscando piratas.

O que faço é tentar buscá-los, tentar atraí-los. Atraí-lo.

Qual é a alternativa que tenho quando a saudade dói e escorre por meus olhos? Sei que estamos distantes, sei que ele não pensa em mim todos os dias, mas sinto a falta, a falta daquele pirata.

Suas cartas de nada adiantaram e eu anseio por sua presença... Mas são apenas esporádicas cartas, ele não vai voltar, está bem onde está e eu até me alegro. Mas então volto à memória daquele pirata, aquele que esteve aqui e que dele, só sobraram Cds de um rock e de um garoto boêmio, além de cartas com uma grafia desleixada e livros de esquerda.

Aquele pirata.

Eu busco piratas. Procuro. Persigo. E só acho músicas, de um tempo de juventude, de um tempo em que o pirata era mesmo o tal pirata, aquele que estava aqui e que alegrava a vizinhança. Um pirata. Um boêmio. Por dentro ele ainda era criança.

E eu não sei como ir mais lentamente, já que minha mente está acelerada por causa da caça aos piratas.

E aí está, uma carta. Eis uma mensagem (na garrafa) à um pirata por causa de minha busca aos piratas.

(baseado num pirata real, acredite)
Alinhar à direita

Um estudo sobre nostalgia

Gosto de nostalgia, de me sentir viva, de saudade (ao menos que doa) e de fatos relacionados a minha infância. Pois bem, acredito que quero viver de nostalgia, criar CDs com minhas músicas preferidas e entregá-lo a alguém que amo; tirar fotos com câmeras analógicas e polaroids; cozinhar para mim mesma; acabar com um caderno de tanto escrever, sair por aí tocando violão, mesmo desafinada. É, viver bem indie.
Pode parecer óbvio, mas eu amo a cidade luz e sonho ir para lá. — mas não somente para as áreas movimentada onde há a torre eiffel ou o arco do triunfo, e sim para os lugares históricos, distantes, onde realmente se sabe que algo ocorreu, como lugares típicos da revolução francesa, etc — Parece bem estranho, mas Paris me trás uma sensação nostálgica, o que estimula o meu desejo de ir até lá, mas me passa uma energia tão boa, algo que me dá a sensação de que tudo é possível na cidade luz, na França (algo maior do que comer croissant, fazer piquenique no rio Sena e conhecer um francês que goste de arte), uma sensação de poder voar, de poder tornar meus sonhos realidade... É algo tão novo é incrível para minha mente adolescente imatura, mas é incrível, que a cada dia eu quero mais.
Além de Paris, muitas coisas me dão sensação de nostalgia. Ouvir músicas do início dos anos 2000 e do final dos anos 90 (tem uma razão em especial, só minha); ler textos feitos por Lucas Edwin e ver fotos da adolescência de meus irmãos. É muito gozado, eu sei, mas é ótimo e como já foi dito, me faz me sentir muito viva.
Eu aprendi (em mais ou menos 8 anos) que a nostalgia é algo tão comum quanto ter um dejá vù, pensando bem, a minha vida é um completo dejá vù e às vezes eu sinto que posso viver de passado, pois é, aprendi que nostalgia vai bem mais do que somente sentir, é uma aprendizagem, sobre ser que a gente é consiliar o que a gente sente...

Quem é você que não sabe o que diz?

No meio-tempo aqui estou, após uma longa jornada de escolaridades, pensamentos aleatórios, períodos de tristeza, minhas oscilações de humor e é claro, devaneios. Há algum tempo venho me perguntando: as pessoas julgam, maltratam-te feito um cão abandonado na rua em plena madrugada e fezem de ti um completo incompreendido, mas que autoridade elas têm (ou pensam que exercem sobre nós)? é incrível como as pessoas acham que podem te influenciar.
Pois é, alguns falam coisas completamente sem sentido algum e ainda acreditam que podem te forçar a fazer algo; tenhamos com exemplo algumas garotas, que falam 25 horas por dia sobre somente um cara. É de mais pedir que elas tenham cemancol e comecem a formar seus intelectos com algo mais interessante que um garoto? mas além disso elas acreditam que sabem tudo sobre o mundo e querem colocar isso na sua cabeça a qualquer modo. A minha palavra para essas coitadas é "vai procurar um livro que você ganha mais", porque atualmente, encontrar alguém que realmente goste de ler está muito difícil (e estou falando de literatura clássica, não algo que se define somente a livrinhos da moda, nada disso)
Portanto, segundo Noel Rosa "Quem é você que não sabe o que diz?", essa vai para as garotas fúteis que tentam induzir os outros a pensarem igual, das quais já me cansei há tempos e que não posso evitar de não conviver; mas então fica um ensinamento: terei que aprender a conviver com isso, mesmo que me deixe a cada dia mais fula.

Swift